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9 de março de 2014

Ode A Artista

Michel Archengel - Erna Y (antunes)

À Erna Y ( Antunes ) 1926 - 2014 (in memoriam)

Diante de entes
E seres míticos
Oriundos da espirituosa
E fecunda expressão lírica,
A mãe criadora
Têm seu rito de passagem.
Eternizada na criação,
Sua imagem e semelhança,
A criatura recebe a criadora
Em um novo amanhecer.
Adentrando telas e esculturas
Fazendo-se viva em cada olhar,
Cada expressão, cada tom.
Libertando-se do recipiente carnal
E mais uma vez livre,
Gozando da imaterialidade,
Como em um passeio onírico,
Iluminando a vida, a mente e o coração
Daqueles que contemplam sua arte.


Renan Wangler

19 de janeiro de 2013

R.I.P.



À Jorge Selarón.

No Rio paira um negrume
Fruto de lamentos e tensão.
Meus sentimentos à lapa,
Enlutada, pois perdeu seu artesão.

Em chamas, um lume lúgubre,
Que escureceu a exaltação.
Nos degraus da obra prima
A vida se finda, desolação.

Por medo, desespero...
Ou ganância, depravação?
O Rio chora por seu filho adotivo...
Nascido da arte, recebido de coração.

Doravante imortal!
Buchudo, sambando tal qual mulata.
Os mesmos degraus do fim
Perpetuarão a vida de Jorge Selarón.

7 de janeiro de 2013

Ao Leitor

 Pelo dia do Leitor 07/01

Salve a generosidade do leitor,
Este que recebe um mundo complexo e o torna seu.
Assimila frações de sentimentos órfãos e os adota,
Enxertando suas experiências, seus anseios.
Assim transformando mundos e meios.
Que as palavras ganhem significado na sua voz,
No seu gesto, seu universo próprio, seu coração.
Tocando e despertando para  uma viajem,
Por entre lembranças e afeições,
Momentos, gozos e sensações.
Que minhas palavras causem alegrias,
Indignação, asco, reflexões e entusiasmos.
Bebam de cada som, ritmos e métricas.
Sintam o em cada verso o toque de Midas,
Tornando dourados seus sonhos e aspirações.
Alimentem-se das metáforas e aforismos.
Somando a seu arcabouço cultural.
Ultrapassando a individualidade,
Através da genética e a dos hábitos.
Que as vozes poéticas se assemelhem e em uníssono,
Perpetuando a tradição da leitura.


28 de julho de 2012

Homenagem, CEACA - Vila ao Dia do Autor: Renan Wangler


Em uma tarde emocionante, fui homenageado pelo Dia do Autor no CEACA - VILA, em um projeto pela oficina do saber.

2 de julho de 2012

Fênix


Á amiga Débora do Nascimento

Admiro essa ardente brasa que lhe consome
E nutri seu temperamento forte e explosivo,
Energia divina, vibrante, sem nome,
Sem forma de um ardor imcompreensivo.

A mim vens como pura luz irradiante
Inspirando e vencendo o escuro que reina.
Libera calor sua intensa amizade intrigante,
A qual sem um certo tato, ao toque queima.

Poucos vislumbram sua face sensível
E deleitam - se  das riquezas de tuas paixões
Talvez origens de sua real incandescência invisível
Ocultada atrás de muros de interpessoais relações.

Desejo a você, Fênix, que em liberdade voe
A cada dia renasça das cinzas de ontem.
Mostra - te! Viva! E  de novo reconstrói.
Para que o mundo veja a  real riqueza que lhe provém.

9 de setembro de 2011

Homenagens Póstumas


Originalmente escrito em memória à nossa saudosa "Dona né" hoje zelando por nós em algum lugar em companhia da querida  REIS MENDES, fiz a poesia a seguir publicada no Livro Vide Bula, Notas , versos & Pensamentos. pág. 159

Incógnita

A minha professora de Filosofia do primeiro período
A morte,
Uma incógnita.
Não sabemos Quando;
Onde;
Ou como;
Nem para onde vamos;
E se lá ficamos;
Ou se logo voltamos;
Só sabemos que não adianta fugir,
Ou se esconder,
Que um dia ela chega.
E de repente nos acha.


Que Deus te ilumine, Maria Tereza Reis Mendes.

3 de maio de 2011

Bukowski


Ode ao poder de tuas palavras.
Sugestionamentos psíquicos,
Que ativam a sede etérea.
Algo singular e inerente aos humanos.

Intrínsecos balbucios ecoam,
Clamando por redenção.
Sob um tormento filosófico,
Culminando  em extensas reflexões.

Revelando o olhar do caos,
Através da máscara do bem-estar.
Sublimes vislumbres de solidão
E do consolo engarrafado.

Tentado ao botão do "F" apertar,
Já indo em direção ao bar,
Meu pensamento a devagar.
Porque resistir...? C'est la vie.




20 de abril de 2011

CIDADE ALTA

Minha cidade elevada,
Colina natal, e sim!
Favela. Em cimento armada.
Aqui. O início de mim

De Leblon, Gávea,
E de outras moradas,
Famílias enraizando-se em nova área.
Novas vidas ali iniciadas.

Juntam-se bancários...
Vão-se bancários...
Expandindo a comunidade.
Exibindo a realidade.

Desbastados! Segregados!
Varridos sob o tapete suburbano.
Condenados, isolados,
Dignidade ou engano?

Fruto do crescimento desordenado,
Favelização e construções irregulares
Descendo os barrancos,
É engendrado o povo e seus lares.

Uma minoria bandida
Rotulam a maioria humilde.
Cidade Alta sinônimo de Gueto.
Medo! Das vielas, dos segredos.

Funk, baile e alegria.
Para muitos, agonia
Embora arregado, há tensão.
Será que terá incursão?

Seguem-se guerras e execuções.
Entre tempos de paz vigiada
Mantida por falanges e comandos
O Poder paralelo dos bandos.

Dublê de comunidade badalada,
Dedicada a Deus apareceu,
Nas telas do mundo,
Porém no submundo permaneceu.

Resistente a arte persiste,
Em centros de treinamentos,
Igrejas, praças e quadras.
Mexendo a barriga em blocos e sambas.

Memória de um povo,
Cultura de uma favela
Arte de uma comunidade
Bendita seja ela.

Minha Cidade quase emancipada
Em seus bares, lojas e mansões
Brotados dos antigos Jardins
Puxadas por humildes artesões.

Salve a Cidade Alta
Minha eterna morada,
Lar de Perninha’s, Mirian’s e Renan’s
Hoje e sempre Cidade Alta.